DONNA TROY ⟡ ⸍ FRAGMENTOS DE ETERNIDADE

▋ * ⟡ ͟. boas vindas! —— a seguir, por este meio você terá acesso à todas as maravilhosas histórias de tróia ╱ a primeira garota maravilha.

BRAND NEW DAY —— THE WONDER PARTNERSHIP.

Aquele dia havia começado diferente dos outros, sim, Donna Troy finalmente havia decidido fazer algo à respeito dos sonhos com premonições esquisitas que vinha tendo, decidiu aproveitar cada momento como se fosse o último, ao invés de se lamentar e de tentar entender a razão por trás daqueles sonhos. Planejou um dia de compras com Estelar, sua melhor amiga. Um dia das garotas com Cassandra e Rachel. Diana vinha sendo evitada ... Donna não sabia mentir para a irmã mais velha, e não queria preocupá-la com aquele assunto, sendo assim, só compartilhou a informação com Roy Harper, por estarem passando mais tempo juntos do que qualquer outra coisa, e Dick Grayson, por saber mais da sua vida do que ela mesma. Aquele seria onde daria partida. Um dia na rotina do garoto - maravilha.Ela percebeu seu entusiasmo, era fato, a vida os distanciava um pouco a cada dia, e aquela era uma das coisas que ela nunca desejaria que os acontecesse. Mesmo assim, sua relação nunca mudava, a parceira se mantinha intacta e mais forte a cada vez. Tomaram café juntos, àquela manhã, seguiram a manhã num interrogatório que julgaram básico—mas que na verdade, definiria o resto do seu dia. Com o laço da persuasão sob sua posse, era fácil conseguir respostas, o que os levou à um ato de ameaça que não estavam mesmo esperando.Dick e Donna precisaram dar um tempo para que Nightwing e Tróia assumissem a responsabilidade. E assim, no fim de um dia de investigações, foram parar em um bloco de apartamentos, bem no centro da cidade.O que encontraram era brutal: um explosivo improvisado, mas com um refinamento cruel. O corpo do artefato lembrava uma mala industrial adaptada, repleta de cilindros de gás comprimido interligados a um núcleo central instável — um protótipo de arma química, misturando tecnologia militar roubada com sucata urbana. Fios enredados, placas de circuito mal soldadas, mas no coração havia uma célula energética adulterada que fervia sob pressão. O painel digital cuspia números em vermelho, contagem regressiva como uma sentença inevitável. O efeito, caso detonasse, não seria apenas uma explosão. O primeiro vetor liberaria uma onda de choque concussiva capaz de pulverizar concreto num raio de cinquenta metros. O segundo espalharia fragmentos metálicos revestidos com um composto incendiário, transformando cada estilhaço num fósforo mortal. O terceiro — o mais sádico — liberaria uma nuvem tóxica, acelerada pelo calor dos cilindros, que envenenaria o ar em poucos minutos. Num prédio cheio de civis, incluindo uma creche no térreo e um mercado ainda aberto, era uma sentença de massacre.Pessoas gritavam nas janelas, o vento carregava cheiro de gás e borracha queimada. Alarmes, sirenes, vozes em coro, luzes azuis varrendo as fachadas. — Vamos lá, circulando! Todo mundo 'pra fora! — Donna ordenou, arrastando civis em direção às saídas com a calma de quem sabe não poder vacilar. Dick se inclinou sobre o painel, identificando os vetores. Não havia tempo para evacuar todo o perímetro. Desarmar era arriscado. Mexer no núcleo significava expor quem tentasse ao pior ponto de instabilidade. E, ainda assim, era a única chance.Donna olhou para Dick e, naquele instante, o olhar dela dizia tudo. Era o mesmo olhar que marcara todo aquele dia — não uma despedida, mas um convite silencioso: estar junto, enfrentar junto, custe o que custar. Ela percebeu o fio fino, escondido sob a carcaça, que prendia a trava de contenção. Era quase invisível, feito para enganar até olhos treinados. Sorriu breve, sem alegria. — É isso. Eu dou conta.Dick assentiu, mãos firmes, preparando o corte no ponto certo. Trocaram um aceno cúmplice. Um fio cedeu sem acionar nada além do próprio pânico, e eles riram, riram mesmo — aquele riso nervoso que nasce da vida que insiste em continuar. Mas havia uma redundância, um segredo guardado no artefato: um detonador secundário, programado para disparar fragmentos se o núcleo fosse mexido. Donna tentou isolar o sensor, e foi nesse instante que veio o ruído seco — metálico, rápido — um estilhaço projetado como agulha.Não foi grandioso, não foi espetacular: um fragmento apenas, disparado em silêncio. Mas o ângulo foi fatal. A lâmina quente rasgou o ombro dela, penetrando fundo, onde nem força nem imortalidade poderiam deter o estrago. Ela não gritou. Controlou a respiração, manteve o foco. Continuou como se nada tivesse acontecido. Dick não viu — estava ainda inclinado sobre o painel, a luz vermelha do display queimando em seus olhos. Quando cortou o fio final, o contador congelou, tremeu, e zerou.Silêncio. Silêncio vasto, como se a cidade inteira prendesse o fôlego. E então, aplausos frágeis, choros, passos apressados de quem escapava. Uma criança gritou pelo pai. Um homem abraçou a filha. O alívio quebrou como onda sobre eles. Dick ergueu os olhos e viu Donna. Exausta, brilhando de suor, mas viva, ainda sorrindo. Puxou-a para um abraço inevitável, cheio de adrenalina. — Nós conseguimos! — ele riu, voz embargada. — Porra, Don. Você é uma maldita máquina.Ela riu também, mas frágil. Ao se separar, ele notou: não era só exaustão. Havia algo errado no semblante. Antes que pudesse reagir, ela perdeu a força das pernas e tombou contra ele. Ouviu um tanto quanto distante, as tentativas de Richard mantê-la acordada, algo como se precisassem sair dali para finalizar o dia, já que o jantar era a parte mais esperada.— Não quero sorvete pra sobremesa, hoje. — respondeu, com a voz trêmula e a vista se tornando cada vez mais embaçada. Ela não teve medo, ou nada do que deveria sentir quando se está morrendo. Talvez, depois de três meses de diferentes mortes em todas as noites, havia aceitado inconscientemente. Olhou para cima, encontrando o rosto dele, o azul dos olhos que sempre fora refúgio. Havia amor ali — irmanado, protetor, inabalável, e uma profundidade que uma vida inteira não apagaria. Ela sorriu uma última vez, frágil, sentindo uma última coisa em vida, uma única lágrima escorrendo pelo seu rosto.Ninguém estava preparado para ver a sua outra metade morrer na sua frente, tão pouco tê-lo que ver passando por aquilo. Por fim, juntou forças para dizer, com um sopro que vinha distante: Tá tudo bem, garoto maravilha.

▋ * ⟡ ͟. ͟ RICHARD'S SIDE:

O dia começou cedo demais, e estranho demais também. Dick era acostumado a presságios, o tipo de sensação incômoda que se escondia no fundo do estômago quando o mundo estava prestes a virar do avesso. Mas naquele dia, ele não sentiu nada, só o calor morno da manhã e o riso de Donna Troy o chamando da porta, com um brilho nos olhos que ele conhecia melhor do que a própria sombra.Ela queria passar o dia com ele. Só isso. Nenhum motivo aparente. Nada de alarme nos comunicadores, nem chamado da Liga, nem urgência de salvamento. Apenas tempo. E ele aceitou na hora. Ela era Donna, ele nunca dizia não pra ela.Tomaram café em uma lanchonete que cheirava a pão velho e café amargo, e ainda assim, ela fez tudo parecer perfeito. Discutiram sobre trivialidades, fizeram piada de tudo. Riram de uma criança que achava que eles eram casados. Donna, sarcástica como sempre, respondeu com alguma frase afiada que fez Dick gargalhar alto, percebendo o quanto sentia falta daquilo.Quando o chamado apareceu, eles já estavam juntos. Era coisa pequena, parecia. Um interrogatório, uma pista. E então o laço de Héstia, a verdade arrancada à força, e uma sequência de informações que não deixava escolha. Explosivos. Um prédio. Civis. Crianças.Asa-Noturna e Tróia renasceram em pleno dia e o que encontraram era brutal. Uma bomba improvisada, no entanto, com engenharia sofisticada o suficiente para fazer qualquer técnico da WayneTech perder o sono. Três vetores.Donna assumiu o controle de forma instintiva, quase natural. Gritava ordens, puxava gente pelas mãos, organizava o caos com a firmeza de quem sabia o que estava fazendo. E Dick, enquanto trabalhava no painel da bomba, se permitia, entre um fio e outro, admirá-la. Mesmo no inferno, ela era luz. Mesmo coberta de suor e poeira, havia uma beleza que nada no mundo podia manchar.O vigilante acreditou quando ela disse que daria conta. A conexão entre eles era antiga demais pra precisar de palavras. Bastou um aceno, um olhar cúmplice. Cortou o fio com Donna do lado, sentindo o coração ameaçar explodir dentro da caixa torácica. O contador estremeceu. Parou. E o mundo, por um instante, respirava de novo.Eles riram. Riram de verdade. Nervosos, aliviados. Riram porque estavam vivos, porque tudo tinha dado certo.Quem esperaria que a bomba guardava um último gesto de crueldade?O estilhaço foi pequeno. Um fragmento apenas. Rápido, quase invisível. Mas atingiu onde precisava. Ela não caiu de imediato, o que contribuiu para que Dick não visse. Estava terminando os protocolos, ainda preso à tensão do momento. Só percebeu quando a mulher vacilou e tombou contra si.Pela primeira vez desde Jason, o mundo se calou.Ele a segurou, mãos trêmulas buscando o ferimento, a voz quebrando no nome repetido como mantra. Donna. Donna. Donna. Sabia que ela estava morrendo, enxergava a vitalidade se esvair no modo como balbuciava.— Não… não… Ei, olha pra mim. Fica comigo, tá? A gente ainda tem jantar. E você me prometeu que não ia morrer antes de ver o Grayson cozinhar seu prato f-favorito… — Fitou os lumes azulados, encontrando tudo que nunca disseram em voz alta: irmandade, parceria, amor verdadeiro, ainda que não romântico. Um vínculo de alma, indestrutível. Porém, naquele instante, frágil demais pra impedir o que vinha.Ela disse que estava tudo bem. Mentiu. E daí, foi embora. Em seus braços, na sua frente.Dick não chorou de imediato. Apenas permaneceu com ela no colo, como se pudesse segurá-la no mundo à força, como se sua presença fosse âncora suficiente para impedir a partida. Perdera mais que uma amiga, perdera a parte que acreditava que o bem sempre vence, perdera a parte que sorria com leveza, perdera a irmã que o conhecia melhor que qualquer um.Desmanchou em choro em seguida, quando o mundo passou a se mover ao redor. Sirenes voltaram a soar e as pessoas começaram a bater palmas e agradecer a Deus por estarem vivas. Chorou porque o mundo celebrava a vida, mesmo quando em seus braços havia morte.Apertou o corpo inerte contra o peito e, entre os dentes cerrados, murmurou em voz baixa, quase inaudível:— Você prometeu, Donna… Você prometeu que a gente ia envelhecer rindo dessas merdas! Sou eu, o seu Garoto-Maravilha. Você disse que… disse que nada aconteceria… — Soluçou, os ombros tremendo, acompanhando a respiração entrecortada. — Não sei o que fazer. Eu não sei como tirar você daqui. Eu p-preciso te tirar daqui.Não havia vitória que pudesse consertar aquilo, nem uniforme, nem símbolo, nem missão. Naquela noite, o herói desabou. Perdeu o eixo, o riso fácil. Fragmentos de sua alma partiram com ela, e sabia, por mais que o mundo continuasse a girar, jamais voltaria a ser o mesmo.

who lives, who dies, who tells our story?

desenvolvimento original, com forte influência dos quadrinhos do dc universe. escrito por artemis —— @wondtroia em parceria com verlac@talesofgrayson.

agradecemos a leitura, que a força esteja com você!